domingo, 23 de junho de 2013

2ª Carta à presidenta Dilma Roussef

Ilma. Sra. Presidenta da República do Brasil - Dilma Roussef

Cordiais saudações

Sou uma educadora mineira e venho por meio desta manifestar  minha indignação pela forma como tem sido conduzida a política salarial referente a classe dos professores mineiros. Creio que seja de vosso conhecimento a forma desrespeitosa como foi implantado o subsídio em MG – não foi respeitado o direito de escolha dos professores/ educadores que optaram por continuar no “Plano antigo”. Bem sabemos nós, subsídio é para quem não tem Plano de Carreira, e nós tínhamos um;  diga-se de passagem, muito bom. Sei que é difícil interferir no Plano de gestão dos Estados; porém, se alguém pode fazê-lo é Vossa Excelência, pois nosso atual governador e sua equipe não tem nos respeitado – somos oprimidos, nos é cobrado trabalhar focando apenas avaliações sistêmicas- o foco da educação mineira passou a ser as avaliações externas e, do meu ponto de vista, isto  está errado. Não estou questionando a validade destas avaliações e, sim, a forma abusiva como vem sendo utilizada- chega-se ao disparate de atrelar o salário dos professores ao resultado do desempenho dos alunos, num forte apelo ao PQT- Plano de Qualidade Total, de cunho neo liberalista. Estão tratando a escola como uma indústria, onde o produto é pronto e acabado e, se não me falha a memória, lidamos com SERES HUMANOS em constante processo de construção. Vossa Excelência bem sabe e muito tem se preocupado com os menos favorecidos, o que é louvável; no entanto, creio que está na hora de preocupar-se com aqueles que formam todos os profissionais, inclusive os presidentes, que são os educadores. Estes, estão sucumbindo; a maioria , quando chegam a aposentar-se, já estão muito doentes. Os educadores mineiros estão cansados de falácias, de marketing de mídias tendenciosas que divulgam e mascaram a realidade educacional mineira. As entidades governamentais estão agindo como se o que importasse fosse somente a classe discente; lêdo engano. Até onde meu conhecimento alcança, não existe discência sem docência, nem docência sem discência- como bem afirmava nosso saudoso Paulo Freire; nossas autoridades deveriam saber disso há muito tempo. Ressalto o fato de estarmos inseridos em um sistema capitalista e assim, termos nossas necessidades pessoais, o que requer que sejamos  remunerados com salários justos pelo nosso trabalho. A classe  de professorado está esvaziada, como mostram as pesquisas; em muitos cursos de licenciatura é baixo o índice de formandos, como na Matemática e Física, por exemplo. A educação mineira- falo desta porque é a que vivencio – está sendo reduzida a meros números, o que se torna muitíssimo perigoso para o país. A desvalorização da escola e enfraquecimento da família faz com que o índice de violência aumente; o que forçará o Estado a assumir o real papel para o qual foi criado – manter a sociedade organizada. Louvo sua atitude a nível nacional de proporcionar cursos de formação de professores pela UAB e sua preocupação em aumentar as verbas destinadas à educação, com o pré-sal. Sugiro que tais verbas sejam mais bem fiscalizadas e que amplie os cursos de formação, abarcando mestrados também - neste reside meu interesse. Tenho certeza que olhará com carinho para o que ora estou a relatar e dentro de suas possibilidades, tomará as providências cabíveis.

Obrigada!
Maria Inêz Narciso Lobato
Professora/ Pedagoga atuante em MG



Para falar com a presidenta - http://acao.dilma.com.br/page/s/site-contato

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