Ilma. Sra.
Presidenta da República do Brasil - Dilma Roussef
Cordiais saudações
Sou uma educadora mineira e venho por meio desta manifestar minha indignação pela forma como tem sido
conduzida a política salarial referente a classe dos professores mineiros.
Creio que seja de vosso conhecimento a forma desrespeitosa como foi implantado
o subsídio em MG – não foi respeitado o direito de escolha dos professores/
educadores que optaram por continuar no “Plano antigo”. Bem sabemos nós,
subsídio é para quem não tem Plano de Carreira, e nós tínhamos um; diga-se de passagem, muito bom. Sei que é difícil
interferir no Plano de gestão dos Estados; porém, se alguém pode fazê-lo é
Vossa Excelência, pois nosso atual governador e sua equipe não tem nos
respeitado – somos oprimidos, nos é cobrado trabalhar focando apenas avaliações
sistêmicas- o foco da educação mineira passou a ser as avaliações externas e,
do meu ponto de vista, isto está errado.
Não estou questionando a validade destas avaliações e, sim, a forma abusiva
como vem sendo utilizada- chega-se ao disparate de atrelar o salário dos
professores ao resultado do desempenho dos alunos, num forte apelo ao PQT-
Plano de Qualidade Total, de cunho neo liberalista. Estão tratando a escola
como uma indústria, onde o produto é pronto e acabado e, se não me falha a
memória, lidamos com SERES HUMANOS em constante processo de construção. Vossa
Excelência bem sabe e muito tem se preocupado com os menos favorecidos, o que é
louvável; no entanto, creio que está na hora de preocupar-se com aqueles que
formam todos os profissionais, inclusive os presidentes, que são os educadores.
Estes, estão sucumbindo; a maioria , quando chegam a aposentar-se, já estão
muito doentes. Os educadores mineiros estão cansados de falácias, de marketing
de mídias tendenciosas que divulgam e mascaram a realidade educacional mineira.
As entidades governamentais estão agindo como se o que importasse fosse somente
a classe discente; lêdo engano. Até onde meu conhecimento alcança, não existe
discência sem docência, nem docência sem discência- como bem afirmava nosso
saudoso Paulo Freire; nossas autoridades deveriam saber disso há muito tempo.
Ressalto o fato de estarmos inseridos em um sistema capitalista e assim, termos
nossas necessidades pessoais, o que requer que sejamos remunerados com salários justos pelo nosso
trabalho. A classe de professorado está
esvaziada, como mostram as pesquisas; em muitos cursos de licenciatura é baixo
o índice de formandos, como na Matemática e Física, por exemplo. A educação
mineira- falo desta porque é a que vivencio – está sendo reduzida a meros
números, o que se torna muitíssimo perigoso para o país. A desvalorização da
escola e enfraquecimento da família faz com que o índice de violência aumente;
o que forçará o Estado a assumir o real papel para o qual foi criado – manter a
sociedade organizada. Louvo sua atitude a nível nacional de proporcionar cursos
de formação de professores pela UAB e sua preocupação em aumentar as verbas
destinadas à educação, com o pré-sal. Sugiro que tais verbas sejam mais bem
fiscalizadas e que amplie os cursos de formação, abarcando mestrados também -
neste reside meu interesse. Tenho certeza que olhará com carinho para o que ora
estou a relatar e dentro de suas possibilidades, tomará as providências
cabíveis.
Obrigada!
Maria Inêz Narciso Lobato
Professora/ Pedagoga atuante em MG
Para falar com a presidenta - http://acao.dilma.com.br/page/s/site-contato